quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Para Elio Gaspari, governo não deve dar tablets a estudantes

       Gaspari critica governo por dar tablets e é contestado pelo Jornal on line Brasil 247     

Vá em frente, Mercadante

Por Brasil 247

NUM ARTIGO REACIONÁRIO, ELIO GASPARI ATACA, NA FOLHA, A COMPRA DE TABLETS PARA ALUNOS DA REDE PÚBLICA; ENTENDA POR QUE ELE ESTÁ ERRADO E POR QUE DILMA E O FUTURO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, ALOIZIO MERCADANTE, DEVEM LEVAR A IDEIA ADIANTE

247 – Jornalista respeitado, autor de uma série clássica de livros sobre a ditadura militar brasileira, Elio Gaspari pisou na bola nesta quarta-feira. Num artigo intitulado “A pedagogia da marquetagem”, Gaspari atacou a iniciativa do governo federal, e também de governos estaduais de comprar um tablet para cada aluno da rede pública de ensino.

No governo federal, o futuro ministro da Educação, Aloizio Mercadante, pretende comprar 300 mil tablets em 2012. Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos abriu licitação para a aquisição de 170 mil equipamentos. E, na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, também está à frente de uma iniciativa pioneira para a compra de 25 mil tablets.

São iniciativas que deveriam ser elogiadas, mas Gaspari, que parece fazer parte do time de “fracassomaníacos”, prefere atacá-las, como se alunos e professores da rede pública fossem incapazes de incorporar as novas tecnologias.

Hoje, já é grande o fosso que separa alunos das redes pública e privada. Nas instituições particulares, a ideia de levar um tablet a cada aluno avança a passos largos. O empresário Chaim Zaher, do COC, já iniciou um projeto para entregar um tablet a cada um de seus 450 mil alunos e está transformando suas salas de aula em ambientes completamente digitais. Em Brasília, o Sigma, uma das escolas de maior prestígio, também dará um tablet a cada aluno do segundo grau em 2012. E se os governos não fizerem nada, o apartheid educacional será ainda maior nos próximos anos.

Ganhos pedagógicos

Diversas pesquisas comprovam que o uso da tecnologia na sala de aula, quando bem aplicada, melhora – e muito – o aprendizado. Um conteúdo interativo, com textos, áudios e vídeos, torna o ensino mais lúdico e reforça o interesse pelo estudo.

Embora Gaspari argumente que o uso do tablet em sala de aula seja coisa de países como Brasil e o Cazaquistão, do humorista Borat, o uso da tecnologia já é uma realidade em vários países em alto grau de desenvolvimento, como Austrália, Coréia do Sul e Japão.

Trazer essa experiência inovadora também para os alunos da rede pública no Brasil é uma das melhores ideias de 2012. E é estranho que a crítica tenha partido justamente de Gaspari, que tanto condena a divisão da sociedade brasileira em “andar de cima” e “andar de baixo”. Será que ele pretende condenar o andar de baixo à ignorância e à exclusão digital?

Leia, abaixo, o artigo de Elio Gaspari:

“A pedagogia da marquetagem”

Brasília quer comprar 300 mil tablets, e o Cazaquistão, terra de Borat, 83 mil, mas NY comprou só 2.000

A compra de 300 mil tabuletas (equipamento também conhecido como "tablet") para estudantes da rede de ensino público nacional poderá ser a última encrenca da gestão do ministro Fernando Haddad, ou a primeira de Aloizio Mercadante. O repórter Luciano Máximo informa que falta pouco para que o governo federal ponha na rua o edital de licitação para essa encomenda.

Governos que pagam mal aos professores, que não têm programas sérios de capacitação dos mestres, onde as escolas estão caindo aos pedaços, descobriram que a compra de equipamentos eletrônicos é um bálsamo da pedagogia da marquetagem. Cria-se a impressão de que se chegou ao futuro sem sair do passado.

O governo de Pernambuco licitou a compra de 170 mil tabuletas, num investimento global de R$ 17 milhões. A Prefeitura do Rio anunciou em outubro que tem um projeto para distribuir outras 25 mil. A de São Paulo contratou o aluguel de 10 mil ao preço de R$ 139 milhões. Felizmente, o negócio foi abatido em voo.

A rede pública de Nova York, com 1,1 milhão de estudantes, investiu apenas US$ 1,3 milhão, numa experiência que colocou 2.000 iPads nas mãos de professores e de alunos de algumas escolas. Já a cidade mineira de Itabira (12 mil jovens na rede pública) comprou 3.000 laptops, num investimento de US$ 573 mil.

Na Índia, onde se fabricam tabuletas simples por US$ 35, existe um projeto piloto para 100 mil alunos num universo de 300 milhões de estudantes. Se tudo der certo, algum dia distribuirão 10 milhões de unidades. Na Coreia, o governo planeja colocar tabuletas nas mãos de todas as crianças do ensino fundamental. Lá, a garotada tem jornadas de estudo de 12 h diárias.

O projeto de Pindorama parece-se mais com o do Cazaquistão do companheiro Borat, onde se prevê a compra de 83 mil tabuletas até 2020.

Encomendas milionárias de computadores ou tabuletas para a rede pública são apenas compras milionárias, com tudo o que isso significa. Se a doutora Dilma quiser, pode pedir as avaliações técnicas que porventura existam do programa federal "Um Computador por Aluno".

Com quatro anos de existência, o UCA tem muitos padrinhos e fornecedores (150 mil máquinas entregues e 450 mil encomendadas por Estados e municípios). Nele, algumas coisas deram certo. Outras deram errado, ora por falta de treinamento dos professores, ora pela compra de equipamentos condenados à obsolescência.

Uma boa ideia não precisa desembocar em contratos megalomaníacos que terminam em escândalos. Se um cidadão que cuida do seu orçamento não sabe qual tabuleta deve comprar, o governo, que cuida da Bolsa da Viúva, deve ter a humildade de reconhecer que não se deve encomendar 300 mil tabuletas, atendendo a fabricantes que não conseguem produzir máquinas baratas como as indianas ou versáteis como as americanas, as japonesas e as coreanas.

Se esses equipamentos só desembarcarem em cidades e escolas onde houver banda larga e professores devidamente capacitados, tudo bem. Se o que se busca é propaganda, basta comprar vinte tabuletas, chamar a equipe de marqueteiros que faz filmes para as campanhas eleitorais e rodar o video. Consegue-se o efeito e economiza-se uma montanha de dinheiro.

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