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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dilma Rousseff revela detalhes do sofrimento vivido nos porões da ditadura

 No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite...  

Por Sandra Kiefer, no Correio Braziliense

A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.

Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.

As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.

Com a palavra, a presidente: “Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque”. Ela continua: “(...) se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória. Em São Paulo, usaram pouco este ‘método’”.

Bilhetes Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, a 4ª Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as memórias do cárcere de Dilma e ela crava apenas não ter sido levada ao Departamento de Ordem e Política Social (Dops) de BH. Como já era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de São Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, porém, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a péssimas condições carcerárias, possivelmente por dois meses.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Marighella é anistiado


Por Agência Estado, via Brasil 247

No dia em que completaria 100 anos, o líder comunista Carlos Marighella (1911-1969) recebeu a anistia política da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O evento foi realizado em Salvador, cidade em que Marighella nasceu, entre a tarde e a noite de hoje. "Por unanimidade, a comissão declara anistiado político Carlos Marighella", sentenciou o presidente da sessão, o vice-presidente da comissão, Egmar de Oliveira, no início da noite.

A decisão foi tomada após a leitura do processo, por parte da relatora, conselheira Ana Maria Guedes. "A Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella".

O evento contou com a presença da viúva de Marighella, Clara Charf, de 86 anos, do filho do casal, o advogado Carlos Augusto Marighella, do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), do senador João Capiberibe (PSB-AP), de deputados como Emiliano José (PT-BA), autor do livro "Marighella: o inimigo número um da ditadura militar", e de políticos de outros Estados, como o vereador de São Paulo Ítalo Cardoso (PT), autor do projeto que deu a Marighella o título de cidadão paulistano, no ano passado.


Bastante emocionada, Clara chorou algumas vezes durante o evento. "O reconhecimento da luta de Marighella pela liberdade e pela vida digna da população é uma vitória para o Brasil", avalia. "A comissão resgatou a verdade da história e da luta dele. Por muitos anos, os governos mentiram, enxovalharam as pessoas para tirar do Estado brasileiro o peso dos erros. Esse processo acabou. A humanidade e o companheirismo sempre foram suas maiores características. Ele merece esse resgate", acrescentou.

Carlos Marighella julgado no dia dos seus 100 anos


Do Brasil 247, com informações do portal Panorama Mercantil
No dia em que faria 100 anos, Carlos Marighella terá seu processo julgado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Sua viúva, Clara Charf, e Carlos Marighella Filho não querem indenização em dinheiro. Pedem apenas a oficialização de pedido de desculpas por parte do Estado, por conta das perseguições e assassinato do líder da resistência à ditadura dos militares.
Em 1996, o Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Marighella. Dois documentários recentes também fazem um perfil sobre o ícone da luta armada no Brasil. Um deles tem a direção da jornalista Rose Nogueira, do Grupo Tortura Nunca Mais, cuja estreia também acontece nesta segunda-feira, 5. O outro, com o título de ‘Marighella’, tem direção de Isa Grinspum Ferraz, sobrinha do guerrilheiro, e já pode ser visto desde outubro.
Um ídolo da esquerda brasileira
Filho de pai italiano e de uma negra filha de escravos nascidos no Sudão, Carlos Marighella nasceu em Salvador no dia 5 de dezembro de 1911. Em 1934, abandonou o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia para ingressar no Partido Comunista do Brasil (PCB). Torna-se, então, militante profissional do partido e se muda para o Rio de Janeiro, trabalhando na reorganização do PCB.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Música para o domingo: Acorda Amor

Já que o assunto do momento é a ditadura envergonhada, vamos de Chico Buarque, claro.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Dilma, sinônimo de coragem e amor pelo Brasil

    Olho no olho: Dilma enfrentou com coragem a ditadura covarde, não sucumbiu à tortura e hoje é a presidenta do Brasil     

A foto acima é de novembro de 1970 e faz parte do livro A vida quer coragem (Editora Primeiro Plano), do jornalista Ricardo Amaral. A obra chegará às livrarias na segunda quinzena deste mês e conta a trajetória de Dilma Rousseff, desde o período da guerrilha até à presidência da República.

Na foto, Dilma tinha 22 anos e respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro, após três semanas de sofrimento na prisão.

Nota-se, ao fundo, os oficiais que a interrogavam sobre sua participação na luta armada, escondendo o rosto com a mão. Logo eles, que faziam e aconteciam, levando tantos jovens à clandestinidade.