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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Marighella é anistiado
Por Agência Estado, via Brasil 247
No dia em que completaria 100 anos, o líder comunista Carlos Marighella (1911-1969) recebeu a anistia política da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O evento foi realizado em Salvador, cidade em que Marighella nasceu, entre a tarde e a noite de hoje. "Por unanimidade, a comissão declara anistiado político Carlos Marighella", sentenciou o presidente da sessão, o vice-presidente da comissão, Egmar de Oliveira, no início da noite.
A decisão foi tomada após a leitura do processo, por parte da relatora, conselheira Ana Maria Guedes. "A Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella".
O evento contou com a presença da viúva de Marighella, Clara Charf, de 86 anos, do filho do casal, o advogado Carlos Augusto Marighella, do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), do senador João Capiberibe (PSB-AP), de deputados como Emiliano José (PT-BA), autor do livro "Marighella: o inimigo número um da ditadura militar", e de políticos de outros Estados, como o vereador de São Paulo Ítalo Cardoso (PT), autor do projeto que deu a Marighella o título de cidadão paulistano, no ano passado.
Bastante emocionada, Clara chorou algumas vezes durante o evento. "O reconhecimento da luta de Marighella pela liberdade e pela vida digna da população é uma vitória para o Brasil", avalia. "A comissão resgatou a verdade da história e da luta dele. Por muitos anos, os governos mentiram, enxovalharam as pessoas para tirar do Estado brasileiro o peso dos erros. Esse processo acabou. A humanidade e o companheirismo sempre foram suas maiores características. Ele merece esse resgate", acrescentou.
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Carlos Marighella julgado no dia dos seus 100 anos
No dia em que faria 100 anos, Carlos Marighella terá seu processo julgado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Sua viúva, Clara Charf, e Carlos Marighella Filho não querem indenização em dinheiro. Pedem apenas a oficialização de pedido de desculpas por parte do Estado, por conta das perseguições e assassinato do líder da resistência à ditadura dos militares.
Em 1996, o Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Marighella. Dois documentários recentes também fazem um perfil sobre o ícone da luta armada no Brasil. Um deles tem a direção da jornalista Rose Nogueira, do Grupo Tortura Nunca Mais, cuja estreia também acontece nesta segunda-feira, 5. O outro, com o título de ‘Marighella’, tem direção de Isa Grinspum Ferraz, sobrinha do guerrilheiro, e já pode ser visto desde outubro.
Um ídolo da esquerda brasileira
Filho de pai italiano e de uma negra filha de escravos nascidos no Sudão, Carlos Marighella nasceu em Salvador no dia 5 de dezembro de 1911. Em 1934, abandonou o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia para ingressar no Partido Comunista do Brasil (PCB). Torna-se, então, militante profissional do partido e se muda para o Rio de Janeiro, trabalhando na reorganização do PCB.
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